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A viola iguapeana, também chamada pelos moradores da Juréia de 'viola branca', é construída artesanalmente e se diferencia das outras por ter apenas cinco cordas e 10 trastos (divisões de metal no braço do instrumento), enquanto as outras têm 19 ou 21. Essa viola não consta dos estudos sobre o instrumento e seu nome não é citado quando se arrolam os tipos de viola: viola, viola pinho, viola caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola nordestina, viola cabocla, viola cantadeira, viola de dez cordas, viola chorosa, viola de Queluz, viola serena, viola brasileira, etc.
Alceu Maynard de Araújo, em pesquisa publicada pela Revista Sertaneja entre 1958 e 1959, aponta dois principais tipos de viola utilizadas no estado de São Paulo: a paulista e a do litoral, sendo esta segunda aquela 'encontrada no litoral paulista e cidades do Vale do Ribeira'. A viola iguapeana tem agora a oportunidade de, por meio deste registro, passar a figurar oficialmente como mais uma das modalidades desse instrumento tão importante do cantar do povo brasileiro.
O luthier Cleiton do Prado Carneiro construiu a Viola Peregrina, aquela que vai ser o fio condutor deste projeto. Vamos acompanhar o trabalho nessas fotos:
O molde da Peregrina está pronta e é também feito em caxeta, por ser uma madeira leve e fácil de trabalhar.
Na bancada estão alguns dos instrumentos de trabalho: plaina manual, formão chato, formão goivo, grosa, serrote, canivete, lixa.

A Viola Peregrina está nascendo. A lâmina de madeira - assinalada em verde - será moldada, com água quente para tomar a forma. O tampo será aplainado e lixado para ficar com a mesma espessura, assim como o fundo . Apoiado na viola, o 'alegre' - cinzel feito manualmente com uma faca de mesa.

Alan, filho de Cleiton, com ferramentas de brinquedo, acompanha e tenta reproduzir os procedimentos do pai. É assim, brincando e participando do fazer dos que sabem, que os conhecimentos de lutheria passam de geração a geração na Juréia.

A Viola Peregrina recebe acabamento: o braço de cedro, a abertura da boca (operação delicada), a colocação do cavalete. 'Testemunhar a satisfação do Luthier após a abertura da boca da viola é gratificante. Parece que ela começou a respirar por conta própria.', registra Plínio Melo no Blongue.
No trabalho de marchetaria, a escala e o cavalete são feitos de canela, madeira mais resistente e escura para contrastar com o tom claro da caxeta. Também de canela são esculpidas as cravelhas, que serão encaixadas nos furos do braço para esticar e afinar as cordas. Mas se são apenas cinco cordas, porque o braço ali tem 10 furos? Ao contrário das tarraxas metálicas, as cravelhas de madeira se desgastam com o uso . Por esse motivo, cinco cravelhas ficam de reserva, para que a cantoria não seja interrompida.

Pronta, a Peregrina recebeu a estampa do logotipo do projeto e posou para a primeira foto nos braços de Alan.
Sua estréia foi no dia 5 de fevereiro, no Carnaval da Praia do Una.
Em breve você vai ler aqui o relato dessa festa.

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